No sermão da Montanha Jesus Cristo exorta seus seguidores a não julgar com parcialidade ou hipocrisia, mas isso não isenta qualquer profecia de crítica ou julgamento perante as Escrituras. Ora, quando julgamos os ensinos sectários da Fé, não estamos infringindo nenhum mandamento de Cristo, apesar daqueles que se autodenominam “ungidos por Deus” acharem que sim. Seus seguidores inclusive replicam a qualquer espécie de crítica contra eles, mencionando o jargão bíblico: “Não toqueis nos ungidos de Deuys”(Cf Salmos 105.15).
Alguns desses mestres, visando a uma forma de obediência pelo medo, asseveram mesmo que tais atos produzem as piores consequências. Consideremos o que o proeminente mestre da Fé, Kenneth Copeland, afirmou na mensagem “Por Que Não São Todos Curados?”, gravada em fita:
Existem pessoas hoje que fazem de tudo para opor-se em juízo ao ministério pelo qual sou responsável e ao de Kenneth E. Hagin.... Vários, dentre os que conheço, tem criticado e chamado esse grupo da Fé de Tulsa de seita. E desse, alguns estão mortos hoje, num sepulcro prematuro, e outros estão cancerosos.
Como se não bastassem os mestres da Fé, sentimentos idênticos podem ser encontrados em vários grupos envolvidos nalguma forma de governo eclesiástico autoritário(desde ministérios autônomos até um exército de “igrejas periféricas”, grandes e pequenas). Os líderes desse grupo são geralmente tidos por seus seguidores como dotados de dons exclusivos e duma chamada que lhes faculta autoridade incondicional – uma espécie de carta branca celestial. Questionar qualquer de seus ensinos ou práticas é como pôr em dúvida o próprio Deus.
Os advogados duma autoridade tão inquetionável supõem que as Escrituras apóiam seus pontos de vista. O texto básico de que se utilizam para “provar” o que dizem é salmos 105.15: “Não toqueis nos meus ungidos e não maltratei os meus profetas”. Um exame mais acurado dessa passagem, porém, revela que ela em nenhum sentido proíbe o questionamento dos ensinos e prtáticas desses líderes eclesiásticos.
Em primeiro lugar, é preciso observar que a frase “o ungido do Senhor”, do Antigo Testamento, refere-se tipicamente aos reis de Israel(1 Samauel 12.3,5; 24.6,10; 26.9,11,16,23); 2 Samuel 1 .14,15; 19.21; Salmos 20.6; lamentações 4.20). Nalgumas ocasiões concstituíam uma menção específica à linha real que descendia de Davi(Salmos 2.2; 18.5-; 89.38,51). Nunca foi usada em relação a profetas e mestres poderosos. E apesar da menção aos profetas no contexto imediato do Salmo 105, a referência e sem sombra de duvida aos patriarcas em geral(versículo 8 a 15; Cf. 1 Crônicas 16.15.22). Veja o caso de Abraão, a quem Deus chamou particularmente de profeta(Gn 20.7). Portanto, é bíblico e justo questionar a aplicação incondicional dessa passagem a líderes isolados dentro do Corpo de Cristo.
E mesmo que esse texto pudesse ser aplicado hoje a certos líderes eclesiásticos, as palavras “ toqueis” e “ maltrateis”, pelo contexto, referem-se a única e exclusivamente à inflição de dano físico a alguém. Portanto, o Salmo 105.15, como texto isolado, não impede em absoluto ninguém de questionar os ensinos dos autoplocamados homens ou mulheres de Deus.
Outrossim, ainda que aceitássemos essa errônea interpretação do Salmo 105.15, como saber com absoluta certeza em quem não devemos “ tocar” – noutras palavras, quem são os ungidos e os profetas de Deus? Seriam os mestres da Fé, por se autoproclamarem como tais? Ora, nessa base teríamos de aceitar as reivindicações de Sun Myung Moon, Elizabeth Clare Profhet e de praticamente todos os líderes de seitas como genuínos profetas de Deus. Por que tem a reputação de realizar milagres? Ora, essa credencial a possuirão o anticristo e o falso profeta!(Ap 13.13-15; 2 Ts 2.9).
Não, nada disso! O que distingue os representantes de Deus, acima de tudo, é sua pureza de caráter e doutrina(Tt 1.7-9; 2.7,8; 2 Co 4.2; Cf 1 Tm 6.3,4). Se um suposto porta-voz de Deus não pode passar no teste bíblico do caráter e da doutrina, nada nos obriga a aceitar suas reivindicações e tampouco ter medo de criticar suas doutrinas antibíblicas.
Finalmente, se qualquer cristão em particular deve ser considerado ungido, então todos os demais cristãos também fazem jus ao título. Pois esse é o único sentido em que o termo é usdado – excetuando-se Cristo – nas páginas do Novo Testamento: “ E vós tendes a unção do Santo e sabeis tudo”(1 Jo 2.20). Por isso mesmo, nada justifica um crente reivindicar para si uma posição especial diante de Deus, como um “ ungido intocável”, acima dos demais. Tendo isso em mente, é significativo que o apóstolo João não tenha usado a expressão“ vós tendes a unção do Santo” referindo-se a algum sujeito mais santo ou espiritual que os outros. Antes, o apóstolo se refere a todo crente como capacitado a discernir entre os verdadeiros e falsos mestres(vv 18-24).
Os ensinos e as práticas de ninguém, mormente um líder de influência, podem prescindir do exame bíblico. De acordo com a Bíblia, autoridade e reponsabilidade andam de mãos dadas.(Cf Lc 12.48). Quanto maior a autoridade exercida por alguém, mais rigorosa a prestação de contas diante de Deus e do seu povo.
Os mestres e líderes da comunidade cristã devem ser extremamente cuidadosos em não enganar ainda o crente mais simples, pois sua chamada traz consigo um julgamento mais rígido(Tg 3.1). Portanto, deveriam ser gratos quando cristãos sinceros predem tempo e esforço para os alertar de qualquer doutrina errada divulgada na sua pregação às massas. E se as críticas se mostrarem infundadas e antibíblicas, os acusados deveriam responder da maneira prescrita pelas Escrituras, que recomenda corrigir com mansidão toda oposição infundada(2 Tm 2.25).
Naturalmente, há um outro lado nessa questão: a crítica, com frequência, pode ser pecaminosa, levando a rebelião e a divisões desnecessárias. Os cristãos deveriam respeitar os líderes dados por Deus(Hb 13.17), pois a eles cabe a tarefa de assistrir a igreja em seu crescimento espiritual e em compreensão doutrinária(Ef 4.11). Ao mesmo tempo, devemos ter cosnciência de que falsos mestres hão de surgir no meio do rebanho cristão(At 20.29; 2 Pe 2.1). Isso torna imperativo para nós testar todas as coisas pelas Escrituras, tal como os judeus de Beréia que foram elogiados por examinar as palavras do apóstolo Paulo, conferindo-as pelas Escrituras(At 17.11).
A Bíblia não é útil somente para a pregação, o ensino e o encorajamento; ela é igualmente valiosa para corrigir e repreender(2 Tm 4.2). Nós, como cristãos, somos responsáveis pela proclamação da inteira vontade de Deus. Devemos por isso advertir uns aos outros sobre os falsos ensinos e não nos omitir em desmascarar os criadores de heresias(At 20.226-28; Cf Ez 33.7-9; 44.1-10).
Precisamos dar ouvidos as reiteradas advertências das Escrituras, para nos resguardarmos dos falsos ensinos(Rm 16.17,18; Cf 1 Tm 1.3,4; 4.16; 2 Tm 1.13,14; Tt 1.9; 2.1), expondo-os diante dos irmãos e das irmãs em Cristo(1 Tm 4.6). Essa atitude, em face do abundante apoio bíblico, não pode de modo algum ser tida como contrária as Escrituras.
Este artigo foi extraído do livro Cristianismo em Crise, cujo autor é Hank Hanegraaff. Foi publicado em português há mais de dez anos mas continua útil para estudo e atualizado para confrontar as atividades dos falsos mestres em nossos dias.

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